Triangulação: obtenha dados mais relevantes da sua pesquisa

Você acredita no valor da pesquisa, como forma de fundamentar suas decisões? Ótimo. Mas quantas pesquisas você costuma utilizar? Elas são suficientes? Se você se interessou pelo assunto, continue lendo.


Steve Jobs certa vez disse:

It’s really hard to design products by focus groups. A lot of times, people don’t know what they want until you show it to them. (É realmente difícil projetar produtos através de focus groups. Muitas vezes, as pessoas não sabem o que querem até que você mostre a elas).

Essa frase costuma dividir opiniões. Alguns entendem que Steve Jobs estava negando o valor de uma boa pesquisa. Mas na verdade, quem conhece a fundo a forma como a Apple desenvolve os produtos, sabe que isso está longe da verdade. A Apple pesquisa, e muito.

O que se sabe na verdade é que confiar puramente na opinião dos usuários e consumidores pode ser uma armadilha. No meio dos pesquisadores não faltam histórias sobre pesquisas onde os usuários alegaram preferir o produto “amarelo” e, ao sair pela porta e se deparar com a versão amarela e preta, com a opção de levar uma para casa, muitos escolheram a versão amar…, ops, preta!

Afinal, o que acontece de errado com esse tipo de pesquisa? Simples. As pessoas dizem uma coisa, mas podem fazer outra bem diferente. O ser humano não é racional, de modo que basear-se em pesquisas que focam nesse lado da experiência não vai te levar aonde você precisa ir.

Esse comportamento em que alguém diz uma coisa e faz outra foi denominado por Argyris and Schön’s como a teoria esposada e teoria em uso. Você já deve ter presenciado essa situação: pediu para uma pessoa descrever como seria o comportamento dela numa situação de emergência e, quando a situação aconteceu, ela agiu de forma totalmente diferente.

Mas como descobrir qual seria o real comportamento do indivíduo? Para isso a ciência utiliza um processo chamado de triangulação ou “múltiplas fontes de evidência”. Em termos práticos significa realizar diferentes pesquisas e comparar os resultados. Você pode fazer uma entrevista, depois realizar uma observação etnográfica e, por último, consultar especialistas sobre o tema. Quando a opinião do usuário bate com as demais “provas”, existe uma chance maior de que ele esteja dizendo a verdade.

Portanto, o que Steve Jobs quis dizer é que seria arriscado tomar decisões importantes e validar um produto ou ideia baseando-se apenas num ponto de vista. É muito melhor obter informações de diferentes pesquisas para poder realmente validar uma escolha ou caminho.

Além da triangulação, também é importante tomar cuidado com a qualidade das informações que se obtém em cada pesquisa isoladamente. Isso é tema do próximo post.

Para saber mais:

Understanding Reliability and Validity in Qualitative Research – Nahid Golafshani

Gestão do conhecimento – On Knowledge Management – Harvard Business Review “Ensinando Pessoas Inteligentes a Aprender” Chris Argyris, pág. 82

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