8 sinais de que as faculdades de design estão atrasadas 15 anos

No Brasil temos 336 faculdades de design, que formam +/-12.000 designers por ano para viver no passado. É isso mesmo que você leu. (E antes que você procure “um” único culpado, não há. A culpa é do inteiro sistema educacional.)

Os conteúdos dos cursos de design brasileiros podem estar defasados pelos seguintes motivos:

  1. PRINCÍPIOS DO TEMPO DO EPA: Os princípios de design ensinados em muitas universidades repetem teorias que se parecem mais com “romantismo científico” (por exemplo: proporção áurea, gestalt etc.;)
  2. PRODUÇÃO GRÁFICA: A abordagem sobre produção gráfica está desatualizada;
  3. WEB = FOLDER DIGITAL: O design de interface ensinado trata os sites como se fossem um folder digital;
  4. TIPOGRAFIA SEM WEB: As faculdades não aplicam a tipografia na web;
  5. APPS: Fala-se pouco ou quase nada sobre design de interface para aplicativos;
  6. NÃO DIGITAL: A prática de ilustração é primariamente analógica;
  7. COISIFICAÇÃO: O foco é na produção de objetos físicos e materiais gráficos, não no design do serviço;
  8. “DEUSIGNERS” ADIVINHAM: Designers aprendem a fazer designer para agradar seu próprio umbigo ou o umbigo do cliente. Usuário? Pra quê ouvir o usuário?

Infografico Defasagem Faculdades

Enquanto a sociedade e o mercado de design vivem inúmeras mudanças, muitos cursos ainda preparam seus alunos para viverem no passado. No gráfico acima, por exemplo, é possível ver que enquanto o mercado já usa e abusa de vídeos e aplicativos, em muitas faculdades os alunos tem que aprender sobre isso praticamente sozinhos. A princípio, aprender por conta própria um conteúdo necessário não seria um problema em si. O que não tem sentido é gastar tempo com matérias e práticas que serviam há 15 anos atrás, não hoje.

Abaixo eu comento cada um dos pontos que jogam as faculdades de design no passado.

CONTEÚDO: Aulas baseiam-se em conteúdo defasado como proporção áurea, gestalt etc.

Muitos conteúdos repetidos em sala de aula foram criados há 100 ou mais anos atrás, numa época em que não existia nem microscópio eletrônico (ele foi inventado em 1933), a psicologia ainda engatinhava e os estudos sobre comportamento humano ainda não tinham influenciado o design como hoje. Idéias como proporção áurea, gestalt, diagrama de Gutemberg consideravam os seres humanos como sendo iguais uns aos outros e não levavam em conta a experiência prévia no processo da percepção. Sim, parece feio falar mal da Gestalt, coitadinha, nem pode vir se defender né? Mas a coisa é bem pior do que você imagina. Eu não iria sair falando mal assim, sem mais nem menos. E nem fui eu quem começou a se questionar sobre essas pseudo-teorias românticas, conforme vou falar num artigo que já está no forno (só falta a revisão por parte dos psicólogos).

PRODUÇÃO: Abordagem sobre produção gráfica está desatualizada

Hoje já estamos na era dos dados variáveis, da impressão colorida que consegue substituir os textos e imagens de acordo com um banco de dados, temos a gravação de chapa substituindo os fotolitos digitais, os bancos de imagens foram integrados aos softwares, a impressão em tecido por sublimação, as provas de cor que simulam quase com perfeição as saídas de impressão, temos ainda as impressoras de grande formato que também cortam, aplicam relevo, hotstamp e verniz via digital. E eu te pergunto: quantas dessas tecnologias são ensinadas ou exploradas nas faculdades? Nenhuma. Ainda vivemos no tempo do xerox e da gráfica que usa fotolito. A questão aqui nem é achar que designers são meros escravos da tecnologia ou meros operadores de impressão. Trata-se de entender que a sociedade muda, a tecnologia muda e os designers precisam se adaptar, a não ser que queiram ficar para trás (como aqueles operadores de linotipo que não aprenderam fazer outra coisa).

INCUNÁBULO: Design de interface trata os sites como se fossem um folder digital

Não faz muito tempo que as faculdades incluíram nos seus currículos conteúdos sobre projeto de interfaces para a plataforma web. Demorou para aparecer nas faculdades, e pelo visto vai demorar para sair. Já apareceram outras formas muito mais sofisticadas para produção de websites, como templates customizáveis do WordPress, layouts data-driven, frameworks javascript (jQuery, MVC, BackBone, Angular, Knockout, Prototype, MooTools, Dojo, Script.aculo.us, Kendo etc) etc. E os alunos continuam aprendendo a fazer sites como se isso fosse apenas desenhar um layout no Photoshop, fatiar e rezar para que alguém consiga transformar aquelas ideias em interação real com usuários. Exatamente como se fazia no ano 2000. Não vou nem falar de sites responsivos, senão a gente chora.

TIPOGRAFIA: Não se aplica tipografia para web

Eu estava em 2010 na cidade de Los Angeles, dando uma palestra sobre tipografia no congresso TypeCon quando ouvi pela primeira vez o termo Web Fonts. Era a salvação da lavoura: finalmente iríamos nos livrar das Verdanas, Tahomas e Ariais da vida, e teríamos uma biblioteca decente de fontes para usar nos websites! Dividi o quarto do hotel com Eben Sorkin, o responsável pelo projeto de fontes web do Google, até então com apenas 125 fontes. Hoje já são 700, só neste catálogo, e milhares nos demais concorrentes. Agora de novo a pergunta: quantas faculdades incluem o estudo da tipografia aplicada no contexto da web? Não precisa responder.

APPS: Pouco ou quase nada se fala de design de interface para aplicativos

Numa época em que o número de smartphones já superou a venda de computadores desktop, as faculdades de design ainda tratam o design de interface como sendo primariamente para websites e só. E a quantidade imensa de aplicativos sendo lançados, não precisa de uma interface também? Mas fazer um layout de tela para um aplicativo é igual a fazer para um layout de website? Às vezes eu penso que as faculdades pensam assim: “olha, não ia nem ter design de websites, então os alunos já estão no lucro. Por nós, eles só aprenderiam a fazer marquinha, caixinha e livrinho”. Daí, cobrar design de interfaces para aplicativos já seria pedir demais né?

NÃO DIGITAL: A prática de ilustração é primariamente analógica

Eu vejo muitos alunos que são ilustradores muito talentosos. A gente sabe: um aluno que manja de ilustração desenha até com retalho de gesso no asfalto, com borra de café no fundo da xícara, enfim. Mas quando se trata de levar essa habilidade para o mundo digital, parece que eles viram aleijados que perderam as mãos num acidente na mesa de ping pong. Não conseguem usar um tablet, não entendem o mundo vetorial, não conseguem entregar uma ilustração num tamanho adequado para ser usada em grandes dimensões, e isso acaba subutilizando seu potencial. Um mínimo de adequação do trabalho de ilustração no mundo digital deveria ser feito, mas as faculdades entendem que isso exigiria equipamentos caríssimos, que não há dinheiro, etc. Ou seja, o aluno vai continuar traumatizado com o ping pong.

COISIFICAÇÃO: O foco é na produção de objetos físicos e materiais gráficos, não no serviço desempenhado

De maneira simples, as faculdades preparam os alunos para fazerem objetos. Um folder, um cartão de visitas, um cartaz, uma luminária, uma mochila, um brinquedo pedagógico. Acontece que a solução de um problema nem sempre significa jogar mais lixo na natureza. O que a pessoa precisa? De um carro ou de transporte? De uma máquina de lavar roupas ou da limpeza da roupa? De um cartão de visitas ou de uma forma de entrar em contato futuramente com o cliente? Essa é a diferença entre projetar coisas e projetar serviços. Quantas faculdades ensinam a desmaterialização como prática projetual?

ADIVINHAÇÃO: A pesquisa com usuários é subutilizada

Por último, muitos cursos fabricam designers especialistas em usar bola de cristal. Ela serve como um instrumento mágico: ela te faz adivinhar os pensamentos e desejos das pessoas! Você nunca conversou com um usuário, nunca observou o comportamento de um consumidor, e, voilá! Você misteriosamente entende como ele pensa, se comporta e se sente e consegue projetar aquilo que irá atender todas as suas necessidades! Isso é incrível! Mas é falso, um desperdício de tempo. Para não ficar feio, as faculdades agora ensinam os alunos a fazer pseudo-pesquisas usando formulários do google, afinal fazer pesquisa séria significa apenas despejar umas 10 perguntinhas num formulário, enviar para o máximo de amiguinhos e isso será suficiente para descobrir a verdade do universo! Já faz alguns anos que sabemos a importância de considerar as necessidades dos usuários, mas as faculdades de design ainda estão no passado, neste respeito.

Conclusão

Em resumo, esses 8 pontos destacados demonstram como muitos cursos oferecidos pelas faculdades de design ainda preparam designers para viver no passado, ensinando conteúdos desatualizados, ignorando as mudanças no universo digital e da Internet, preparando designers para fazerem objetos e serem adivinhadores das necessidades dos usuários finais. Quem sabe, daqui a 15 anos a faculdade evolua. Mas daí, a sociedade já estará em outro tempo, e de novo ela estará atrasada.

PS: Vale lembrar que este post trata dos “conteúdos defasados”. Seria inocência achar que a questão dos conteúdos seja o único problema das faculdades. Isso é só a parte visível do problema, facilmente reconhecível. Qualquer ex-aluno de faculdade consegue se lembrar de como algumas matérias pareciam repetir os mesmos ensinamentos do século passado. Algumas faculdades poderiam dar a desculpe de que “é preciso aprender com o passado para não repetir os mesmos erros”. Mas infelizmente não é isso que acontece. Muitos ensinam coisas antigas, dando a impressão de que a prática de design ainda é a mesma de décadas atrás. Algumas pessoas alegam que é natural a universidade ser reativa, ou seja, as necessidades da sociedade mudam e depois as faculdades se adaptam à essa realidade. Concordo. O problema é quando as faculdades levam 15, 30, 60 anos pra se adaptar! Num outro post vou abordar a questão dos métodos de ensino, o sistema educacional brasileiro cheio de defeitos e a falta de apoio que muitos professores tem na hora de ensinar os estudantes.

Curiosamente, depois do meu artigo foi publicado um artigo sobre a questão do futuro da formação em design, excelente (dica do Guilherme Sebastiany). Leiam: http://m.educacao.estadao.com.br/noticias/geral,profissoes-do-futuro-as-areas-mais-promissoras-do-design,1738793#

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50 opiniões sobre “8 sinais de que as faculdades de design estão atrasadas 15 anos”

  1. Um texto que pode ser resumido em uma palavra: Sensacional.
    É uma realidade que vivemos, e que infelizmente, para os que tem pouca sorte ou dinheiro, estão obrigados a vivenciar. Fosse fácil poder estudar no exterior, ou quem sabe, por algum milagre, as coisas por aqui mudarem.
    Parabéns! Recomendarei o seu post para meus leitores.
    Um abraço!

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  2. Parabéns! Um texto muito bom e reflexivo.
    Esse cenário construído em seu texto é fantástico. Porém, questiono uma situação: Se vivemos nesse mundo de novidades tecnológicas e do design vivendo no passado (pelo menso das faculdades, como coloca), acredito que um fato a ser considerado para, talvez, termos essa realidade é o próprio mercado (tão evoluído) cobrar por profissionais que atuem com essas tecnologias e conceitos do passado.

    Não por não acompanharem o mercado, mas por ser caro atualizar softwares, renovar parques gráficos, contratar profissionais que, possam compreender o mundo “moderno” de maneira a explorar as diversas novidades que aparecem a cada clique.

    Mas ainda pergunto, em um curso que os alunos chegam despreparados, sem os conhecimentos básicos de gestalt, proporção áurea, composição de cores, e processos de impressão “clássicos”, como podemos simplesmente jogar as novas tecnologias e formas para eles, sem que tenhamos um retrocesso, de mais de 20 anos talvez, sabendo que eles não estarão prontos para compreender o que o mercado vai cobrar deles.

    E sim, sou professor de design e estou há 15 no mercado e ainda uso tecnologias desses 15 anos passados, pois o mercado em que estou inserido me cobra isso.

    De qualquer forma é um questionamento e não uma crítica, seu texto será abordado em aulas, inclusive!!!!! Obrigado

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    1. Ótimas observações. O objetivo do texto é fomentar mesmo a reflexão. Fui enfático e exagerei em alguns momentos, justamente para tirar as pessoas da zona de conforto. Parece que funcionou, até o momento o post recebeu 4.000 visualizações em 13h de postagem.

      Sobre ter que “retroceder”, eu acho que temos que tomar cuidado ao usar conteúdos muito antigos, pois a sociedade muda, o conhecimento muda e as faculdades precisam evoluir também. Já imaginou se a medicina continuasse ensinando principalmente coisas antigas, sob o pretexto de que os alunos “não estariam prontos para compreender o que o mercado vai cobrar deles”?

      Mantenha-me informado sobre suas discussões, elas são excelentes para que possamos evoluir.

      Forte abraço!

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  3. Alguns pontos são bem fundamentados e bem interessantes de se discutir. Realmente, deveríamos focar mais no Design de Serviço do que no Design de objetos físicos. No entanto, percebo que alguns argumentos do texto também poderiam ser entendidos como adivinhação, pois ignoram a realidade de todas as instituições de ensino e todos os cursos de Design do país. Outro ponto: focar o estudo do Design de Interfaces na programação (frameworks javascript (jQuery, MVC, BackBone, Angular, Knockout, Prototype, MooTools, Dojo, Script.aculo.us), não seria tecnicismo puro? Também penso que não há como esquecer o conhecimento adquirido na área e ignorar a história da profissão. Concordo que o ensino de Design precisa se atualizar e se focar em tópicos/técnicas/metodologias e pesquisas contemporâneas. Neste sentido, qual seria a solução para este problema, Ricardo?

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    1. Olá Ike, obrigado pelo seu comentário.

      Eu reconheço que fiz uma generalização forçada no título do artigo, mas isso foi proposital. Foi para chamar a atenção das pessoas e convidá-las a refletir sobre a situação em que os cursos de design se encontram. Este artigo foi visualizado mais de 6.000 vezes durante o dia de hoje, justamente porque ele representa a opinião de muitos que reconhecem a defasagem do ensino.

      Eu acho que me expressei mal, quando dei a entender que o foco dos cursos deveria ser programação. Essa não é a idéia, concordo que seria tecnicismo puro. Mas fazer o extremo também não me parece uma boa ideia, ou seja, ensinar sobre projeto de interfaces sem que o aluno sequer saiba que isso existe, como isso deveria influenciar seu projeto, seja de interfaces desktop ou mobile.

      Na minha opinião, a formação do designer deveria se aproximar do que Nigel Whiteley chama de “Design Valorizado” (www.esdi.uerj.br%2Farcos%2Farcos-01%2F01-05.artigo_nigel(63a75).pdf), que é uma formação equilibrada.

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      1. Olá, Ricardo.

        Interessante o ponto de vista do autor. Vou ler o artigo para retornar à discussão. Realmente, devemos atualizar a prática docente de modo constante, e estabelecer um diálogo mais próximo com o mercado, se quisermos qualificar o ensino de Design. Tudo isso, sem negar nosso passado, na minha opinião.

        Abs!
        Henrique

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  4. Só não concordo com a parte da Ilustração… 1º,por que determinadas ilustras não ficam a mesma coisa fazendo no pc,pois é difícil copiar a técnica e deixá-la no seu estilo através dele (mesmo existindo +1500 brushes para simular isso…bom,talvez no futuro dê) e saber desenhar a mão não te impede em nada de saber vetor e usar os inúmeros softwares para design …seria bom se vc refletisse se talvez não possua um preconceito com ilustração analógica ou algo do tipo… =)

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  5. Cara, eu estudei na Universidade Anhembi Morumbi de 2007 a 2010, sou formado em Design Digital e 80% do que você fala aí não ocorre lá.

    Não querendo defender a Universidade, que tem muitos pontos a serem melhorados (e não sei como estão os cursos atualmente), mas quando estudei lá, tivemos sim gestalt, mas também estudamos tipografias web, ux, design thinking, desenvolvimento de Aps antes mesmo de existirem os tablets, Tv Digital, entre outros.

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    1. Olá Alexandre, sim, vários pontos que eu citei são realidade em cursos de design digital, afinal essa é a natureza deles. Em mercados mais amadurecidos como SP, onde a concorrência não perdoa quem fica para trás, essa atualização nem é uma opção, é uma condição de existência. Infelizmente, muitos cursos perpetuam o mesmo ensino que foi ensinado para as gerações anteriores, sem se questionar se ainda continuam válidos.

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  6. Realmente muitas universidades já se atualizaram. O problema é que o mercado não se atualizou. Já tive caso de cliente que queria um trabalho digital, a ser impresso via sublimação em tecido, querer o mesmo via fotolito pq foi assim que ela aprendeu, não importando a perca de qualidade. As gráficas do Brasil, em geral, são muito desatualizadas usando máquinas com tecnologias antigas. Mas entendo que o investimento para atualização em um país cheio de impostos como o Brasil é difícil… Não acho também que deva se ensinar somente o novo, é preciso ter um conhecimento em diversas técnicas de impressão, por exemplo, até pq tem técnicas antigas lindas como o letterpress que são utilizadas até hj e o resultado é primoroso.

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  7. Para não deixar meu comentário tão leviano quanto seu post, acrescentaria que não se avalia um curso somente pelo seu conteúdo (embora neste quesito, no curso em que leciono, estejamos muito além destas proposições que você levantou). Se há alguma defasagem no ensino do design no Brasil, (das escolas que conheço e não de todas, porque não tive o prazer de conhecê-las), esta acontece nos métodos de ensino, ainda muito reféns do modelo fordista, baseado em aulas expositivas, avaliações quantitativas, salas de aulas lotadas etc etc. Mas ainda nesse quesito, existem iniciativas pontuais muito interessantes em algumas escolas. De qualquer modo, o cenário pode melhorar, mas penso que o problema está longe de ser os que você apontou.

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    1. Concordo plenamente contigo Wiccket, o buraco é mesmo muito mais embaixo. A situação me parece ainda mais crítica quando notamos que as diretrizes curriculares do MEC ainda privilegiam a cópia de modelos pedagógicos defasados (especialmente a Bauhaus), muitos professores perpetuam ideias que ouviram quando ainda eram alunos e muitos projetos pedagógicos tratam os alunos como sendo estudantes do ensino médio. Pra piorar, diversas faculdades de design encaram os alunos como se fossem analfabetos visuais, sem referência nenhuma, num tempo em que o consumo de informação pela Internet é muito superior à época em que eu e você estudamos.

      Acredito que a próxima geração de professores possa questionar o atual modelo de ensino e tocar nessas questões mais profundas que você citou.

      Obrigado pelo seu comentário. Um abraço.

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  8. Infelizmente a acadêmia não consegue acompanhar a evolução do mercado, talvez porque os estudos das áreas de tecnologias só ocorrem pós acontecimentos (inventos), talvez seja porque temos que cumprir a exigência do Mec de contratar professores, mestres, doutores e que por sua vez estão desenvolvendo pesquisas (muitas vezes estudos sobre uma teoria) e não desenvolvendo produtos ou serviços, a melhor solução para manter um curso atualizado é contratar pessoas que estão desenvolvendo aplicativos, interfaces, e participam dos novos processos dentro da área de design, vejo que esse é o caminho para conseguir uma melhora nos currículos e cursos dessa área.

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  9. Achei o texto um pouco fraco. Quais são as fontes? de onde você tirou essas informações? E as estatísticas de quais faculdades ensinam o quê? A impressão que dá é que o texto é todo baseado em achismos, sem nenhuma informação realmente relevante.

    A realidade que vivo como estudante de design aqui no Rio de Janeiro é completamente diferente desta citada no texto. O único ponto que se enquadrava no meu ensino seria a falta de matérias focadas em criação de apps, mas até isso foi incluso no meu curso durante este ano.

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    1. Olá Adriana,

      O texto foi simplificado de propósito, senão ficaria excessivamente longo e complexo. Pela minha experiência, um texto científico afastaria as pessoas e reduziria o alcance do artigo.

      Sobre o texto ter achismos, eu concordo que essa pode ter sido a impressão, já que eu não aponto fontes nem referências. Vou aprimorar o artigo, incluindo as referências no final dele, assim quem tiver interesse em se aprofundar pode consultar as fontes. Obrigado pela sugestão.

      O contato que tenho com alunos do Rio de Janeiro demonstra que muitos cursos ainda preparam os alunos para serem construtores de objetos/materiais gráficos, ao invés de priorizar os serviços que eles desempenham. Você pode me dizer em qual universidade você estuda e como eles abordam o design de serviço?

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  10. Fora os APPs, que concordo é muito novo e falta ferramenta, estamos bem cobertos na faculdade onde leciono, e na faculdade onde me formei há 15 anos também já cobria com muita competência as “falhas” apontadas, acho que vale um aprofundamento

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  11. Achei o texto fantástico!!! era essa angústia mesmo que eu vinha sentindo desde que me formei no Mackenzie. Tivemos pouco contato sobre esse “novo mundo”. Como diz o texto, aprendemos apenas a projetar coisas e não serviços. Também não sabemos NADA de redação publicitária, marketing, social media. Tivemos 3 semestres de História em Quadrinhos, desenhando em nanquin em A3, mas tivemos que aprender sozinhos a fazer ilustração digital (e nunca usei uma pasta de desenho para vir trabalhar). Tipografia, estudamos sobre o desenhista e o ano que o fdp criou a fonte, mas e sobre sua melhor aplicação e como as fontes podem ser combinadas? Fomos pouco estimulados ao empreendedorismo e estudamos superficialmente sobre inovação. Sem contara as aulas cocôs que tivemos sobre interface e mobile. Eles estão muito ultrapassados!

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  12. Sempre pensei isso! estudei 3 anos na FUMEC- BH cheio de professores antiquados que se acham os bons, rasgando trabalhos de alunos na frente da sala, com aulas ridículas, matérias perda de tempo, não se ensina nada técnico! métodos de avaliação ultrapassados, etc.

    Concordo plenamente com o texto, e após quase desistir de design acabei me transferindo de faculdade e me formando, porém tudo que aprendi de ÚTIL para o mercado foi sozinho, lendo livros e na internet.

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  13. A defasagem apontada no texto não é um privilégio das escolas de design. É caracteristica das escolas em geral, desde o ensino básico. Quanto mais rápido o conhecimento humano se desenvolve, maior se torna essa defasagem, porque o ritmo de formaçao dos professores, a atualizaçao dos curriculos academicos, não conseguem acompanhar esse processo. É por isso que alguns pensadores já afirmaram ser a educaçao academica uma das profissões impossiveis, no sentido de realmente terem êxito frente a seus objetivos. Como trabalho há muitos anos com educaçao escolar e formaçao de professores, e também sou a favor das escolas ( X a ideia de que as escolas sao desnecessárias), posso dizer que “sei do que estou falando”.

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  14. Infelizmente você e todos que postaram comentários a favor deste seu post absolutamente fora da realidade, não são designers ou então foram infelizes na escolha de suas universidades e faculdades que se formaram.

    Um conselho: voltem a estudar em universidades e faculdades reconhecidas.

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    1. Olá Luciano, entendo que a UFSC possa estar em dia com o design de interface (o trabalho de vocês é excelente nessa área, um exemplo para o país). Mas infelizmente essa não é a realidade de outros cursos. O próprio curso de design gráfico onde dou aula como professor (UFPR) ainda engatinha nessas questões. Embora tenhamos um conceito parecido no ENADE com a UFSC (Conceito 4), temos muito a aprender com vocês ainda.

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  15. Equivocado. Todos os amigos que fizeram intercambio trabalham com processos manuais e produtos físicos. O mundo nunca deixará de ser palpável. Cabe ao designer gráfico transformar conteúdo em imagem e não em dados de programação, deixemos essas funções para os webdesigners e programadores.

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    1. Olá Rafael, essas idéias não são minhas. A desmaterialização não é um conceito novo, já é abordado há décadas por diferentes profissionais em ramos distintos como engenharia, produção, desenvolvimento sustentável, economistas e designers. Dois artigos que dão uma visão de fora (já que você falou do intercâmbio) são: http://seedmagazine.com/content/article/a_new_map_for_design/ e este outro http://www.wired.com/2009/06/industrial-design-is-dematerializing-and-spreading-through-social-networks/ . Obrigado pelo seu comentário =)

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  16. Olá! Considero tudo que falaste muito pertinente. Porém também discordo de alguns itens. Não faço Design, escolhi Publicidade e Propaganda, apesar de trabalhar como designer gráfico há algum tempo. Ambos cursos caminham juntos, e mesmo fazendo PP, (Na Univali, Itajaí, SC) aprendi muitas das coisas sobre processos gráficos, pesquisas com consumidores, fontes… Tudo isso em apenas algumas matérias voltadas ao design. Claro, há muito para se atualizar, tenho colegas que ilustram com perfeição, porém serve apenas para os copinhos de café.E a culpa disso é de um todo: Alunos, professores, coordenadores, diretores… lamentável.

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    1. Olá Fernanda, obrigado pelo seu comentário. O ponto central do meu artigo era mostrar que muitas faculdades são reativas: elas sempre estão atrasadas com respeito ao futuro. Quando o aluno sai do curso, muito daquilo que ele aprendeu no primeiro ano já está desatualizado. Com que velocidade os cursos evoluem? A cada 5, 10, 15 anos? E a sociedade, as demandas de mercado, das pessoas, evoluem com que velocidade? Todos os dias! O problema da defasagem pode estar no modelo de ensino que a gente adota, isso é muito lento, na minha opinião.

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  17. Oi Ricardo, vou falar especificamente sobre Produção Gráfica.
    Muito do que ensino na faculdade vem da minha experiência como designer e produtora, por passar noites e noites finalizando, alterando e acompanhando materiais gráficos, visitando feiras de tecnologia e me atualizando com os fornecedores. Levo para a sala de aula minhas caixas de referências de impressão, monto estudos de caso, visito fornecedores gráficos e amo o que faço!!
    Livros teóricos me ajudam a resgatar conceitos e fazer associações prático/teóricas fundamentais para didática. E no que percebo, muitos professores desta matéria tem feito isso!

    Bem, dentro disso tenho três colocações:
    1. O professor tem que gostar do que faz e aprimorar suas aulas na teoria e prática.
    2. A faculdade (direção e coordenadores) deve expor o seu propósito para os alunos e principalmente para os professores, para que as expectativas sejam equilibradas.
    3. O ENADE cobra, basicamente, conteúdos interpretativos e não técnicos. Muitas faculdades teóricas da “gestalt” são as melhores classificadas e enfrentam exatamente os problemas que vc relatou.

    Sim, as faculdades são retrógradas em muitos aspectos, porém solução não é somente “digitalização” do design!

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    1. Olá Vanessa, que honra! Fui seu aluno, e com certeza, você foi uma das professoras que trouxe o novo pra nós, pelo qual sou muito grato. Quem me dera se todos os professores fossem como você =) Sobre a digitalização do design, concordo que não seja o caminho, nem foi essa a intenção do meu artigo, só quero dizer que enquanto as crianças de hoje, que já nascem dentro do mundo digital, forem adultas, é que muitos cursos vão começar a pensar em mudar suas abordagens e conteúdos. Ser reativo é algo que eu considero prejudicial. O sentimento de muitos alunos é que a própria dinâmica de ir para um lugar físico ter aulas numa sala de aula que tem o mesmo formato das salas da Idade Média já é um tipo de “desalinhamento” com os tempos.

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      1. De qualquer forma as aulas presenciais também são uma forma de interação social importante. Mas concordo que o formato do layout militar das carteiras, uma atrás da outra, e a forma dos conteúdos transmitidos em sala são desatualizados e precisam urgente de mudanças.
        Parabéns pelo texto e pela discussão produtiva que gerou!

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  18. bem, não concordo com alguns pontos (ou então o ensino que tive não entra na parte generalizada do ensino em design). Acho útil e válido sim ensinar gestalt e proporção áurea, tanto para criações gráficas, como para entender as referências que vemos por todo lado. Claro que quando me foi ensinado isso, além da parte teórica, tive aulas recheadas de exemplos e até mesmo exercícios para melhor entendimento da aplicação de cada.

    Sobre os outros tópicos, recomendo que avaliem a grade da faculdade que esteja pesquisando para cursar, conversem com alunos e professores sobre os cursos e tudo mais. A faculdade que cursei (universidade do estado de minas gerais) está super atualizada, mostra muito bem a atualidade do mercado e caso o professor não tenha essa vivência por estar no meio academico a muito tempo, profissionais da área são convidados para aulas/palestras/mesa redonda constantemente. Além disso lá dentro mesmo existem diversos centros práticos com técnologias atuais para os alunos que queiram conhecer mais sobre cada área criarem projetos e desenvolverem dentro da faculdade.

    Na parte digital mesmo, estudamos design responsivo, mobile first, prototipação para web, desktop e app, interações digitais atualmente possíveis e até mesmo ideias do que está por vir.
    E mesmo com essa parte digital em foco, tivemos muito (mesmo, até mais que gostaria haha) foco em print, trabalhos, provas, aulas, palestras, leituras de livros e até mesmo visitas técnicas em gráficas exemplificando o aprendido em aula.

    A única coisa quando entrei no mercado de trabalho que realmente senti falta, foi aprender que o mercado não está bem preparado para o designer e como lidar bem com isso, não entendem direito a profissão e querem um multi profissional para fazer trampos de publicidade web print, que saiba editar videos, escrever, fechar arquivo, programar, diagramar, fazer montagens e edições de imagens em nível top, ilustrar, animar, lidar com clientes, fazer relatórios, apresentações, branding, que tenha dominio completo em todo o pacote adobe, photoshop illustrator, indesign, corel draw, paint haha, flash, premiere, after effects, wordpress, html5, css3, javascript, dreamwever, google ads, emk, power point, excell, word, outlook, redes e antivirus :p e que seja ótimo nisso tudo. Claro, pagando o minimo possível.

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    1. Olá Verônica, obrigado pelo comentário. Entendo que alguns cursos podem estar com uma visão mais atual sobre a prática do design, mas infelizmente isso me parece ser exceção. E sobre as exigências das empresas sobre o perfil do profissional, cabe uma pergunta: o papel da universidade é apenas formar mão de obra para preencher as vagas escassas no mercado de trabalho?

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  19. Olá, interessante o ponto de vista, mas fiquei curioso para saber a fonte de dados que você usou para elaborar essa análise, tem alguma ou foi baseada na experiência pessoal?
    Estou no último semestre da faculdade e vejo alguns desses problemas em relação a defasagem, mas acho que vale tentar lembrar que não é objetivo da faculdade ensinar ferramentas ou ser especifica, ao ler o seu texto realmente ficou meio enfático que deveríamos nos preocupar com coisas práticas do mercado, enquanto para mim a faculdade deveria ensinar o designer a ter um pensamento crítico e questionador. Para conhecer uma tecnologia nova do mercado, aprender uma ferramenta especifica são passos muitos simples que qualquer um pode fazer sozinho. Agora desenvolver um projeto consciente que vá além de uma replicação de conceitos, que não preze apenas pela estética do momento mas que tente trazer uma solução viável é algo bem mais complexo e algo que quase nunca fui cobrado ou discutido em meus dias de faculdade.
    O problema do ensino é talvez termos professores que estão afastados do design em geral, que não pesquisam e não se atualizam e termos alunos que esperam da faculdade aprender as práticas que irão executar no seu futuro emprego. A faculdade veria estar sempre a frente do mercado, e sempre preocupada em produzir novos conhecimentos e novas tecnologias, nunca ser apenas uma simples seguidora de um mercado existente.

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    1. Olá Guilherme, a análise foi baseada em diferentes fontes de evidência: pesquisa secundária, observação, entrevistas etc. Eu concordo 100% que o objetivo da faculdade deveria ser ir bem além do que focar apenas em tecnicismos ou atividades práticas. O ponto que eu quis destacar é que os conteúdos são um reflexo das demais deficiências que você exemplarmente citou. Um curso que usa idéias do passado vai manter os alunos exatamente lá. No texto eu também deixo claro que uma faculdade que não consegue dar conta nem do “presente”, não vai dar conta do “futuro”, concorda? Como ser vanguardista, mirando pra conceitos e práticas defasadas? E além disso, é muito lindo o discurso de “repensar” a prática projetual, mas considero isso difícil se a pessoa nunca colocou a mão na massa. Como um chef de cozinha vai repensar o alimento se ele nunca pisou numa cozinha? Como um fotógrafo vai avançar o conhecimento ou propor novos limites, se mal sabe segurar uma câmera? Como um designer vai construir novos modelos de comunicação e interação humanas, se ele vive num mundo onde não existem computadores, não conhece como é a prática atual, não conhece os códigos que ele vai desconstruir? Picasso antes de sair pintando o cubismo, fez muito quadro “certinho”. Enfim, os cursos lidam mal com o presente, vivem no passado e querem questionar o futuro? Desculpa, mas não dá.

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