Casar é bem mais complexo do que você imagina

Muitos sonham com um casamento. Perfeito, de preferência. Ou quase perfeito.

Antigamente as pessoas viviam menos anos. A expectativa de vida era de 45 anos. Sim é isso mesmo que você leu. 45 anos! Com isso, não tinha sentido em se casar com 30 ou 40 anos. As mulheres tinham filhos cedo, levando em conta que também não havia métodos contraceptivos eficientes e disponíveis como temos hoje.

O tempo passou, a expectativa de vida aumentou e hoje é possível que uma mulher alcance os 90 anos ou mais. Ter filhos não é mais a prioridade. Com isso, a idade para o casamento também foi adiada e muitas mulheres entendem que é possível ter uma vida plena sem criar filhos, focando no trabalho ou outro tipo de realização.

No entanto, o aumento da expectativa de vida e outras possibilidades de carreira não são a única razão para que as pessoas se casem mais tarde.

Está cada dia mais difícil achar uma cara metade aceitável. Digo aceitável pois se a pessoa não for exigente, pode se envolver com a primeira que aparecer, pagando o preço, obviamente.

E o que é um parceiro “aceitável”?

A resposta depende de cada pessoa, da sua história de vida, da influência familiar e até religiosa. Encontrar alguém que compartilhe dos mesmos objetivos, valores e tenha opiniões parecidas parece uma loteria.

Você está ali, diante da pessoa que parece ser a melhor da sua vida: ela tem muitas qualidades admiráveis. Ela é bonita, tem um charme e um sorriso encantadores. Mas é só conhecer a pessoa um pouquinho mais e o que parecia um conto de fadas se transforma num filme com uma reviravolta dramática.

Muitos acham que a escolha do parceiro se limita a encontrar um belo par de olhos ou um corpo de modelo. Mas eu te garanto que a pior decepção vem de um lugar que não aparece no espelho: a mente do parceiro, com suas ideias e crenças sobre o mundo.

A mente de uma pessoa pode vir numa linda embalagem, com cabelos sedosos, sorriso brilhante, mãos macias e cheiro irresistível. No entanto, o problema, a não ser que você tenha problemas anatômicos graves, nunca foi a aparência, que é visível. O problema é entender e aceitar o que não se enxerga prontamente, que são as crenças da pessoa, a visão de mundo que ela tem.

Não se trata portanto de julgar o que é certo ou errado, justo ou injusto. Trata-se apenas de saber: as crenças combinam ou não? Digo isso pois um casal terá que tomar decisões juntos, como num barco onde há um leme que indica a direção. Se as crenças não se harmonizam, o casal se verá tentando dirigir um barco levando-o para direções muito diferentes, que trarão infelicidade.

Desafios de um casamento

Muitas decisões são oportunidades para conflitos sérios num casamento, como por exemplo:

  • O casal terá filhos? Quem vai cuidar da criança no início?
  • Como o casal irá usar o dinheiro? Para qual objetivo?
  • Como, quem e quando a casa será limpa?
  • O casal está ciente sobre a saúde mental e física um do outro?
  • O casal atende as expectativas amorosas um do outro?
  • As preferências sexuais de cada um foram discutidas abertamente? Os medos dos parceiros são conhecidos?
  • Vai ter TV no quarto?
  • Vai ter um perfil no Facebook? A senha vai ser compartilhada?
  • O casal é um bom ouvinte e dá atenção às necessidades um do outro?
  • O casal conhece as crenças religiosas e a espiritualidade um do outro? Como as crianças vão ser educadas religiosamente?
  • O casal gosta e respeita o círculo de amigos do outro? Existe respeito à família? Os pais vão interferir no casamento?
  • Já foi discutido o limite de cada um em relação à vida a dois?
  • Ambos estão preparados para mudar de cidade em caso de uma oferta de trabalho?
  • Os parceiros estão certos dos compromissos e obrigações de um casamento, mesmo diante das dificuldades que irão surgir?

Por incrível que pareça, esses itens citados são uma oportunidade grande para desentendimentos. Você até pode pensar: “Ah, mas é apenas uma questão de ceder e evitar os conflitos”. Você aceitaria ceder na questão religiosa? Seu filho vai ser criado metade na igreja evangélica e metade no espiritismo? Você aceita ceder facilmente no que diz respeito à influência da família do seu cônjuge no casamento? Você aceita ceder em ter um marido que desconsidera suas necessidades emocionais? Você aceita ceder no uso desregulado e sem foco do dinheiro do casal? Acredite, é mais fácil falar do que fazer.

Portanto, se você está pensando em se casar, leve esses fatores em conta, e entenda que se casar apenas por pressão da sociedade ou por que você “se sente só”, não é uma escolha sábia. Uma pessoa que faz as coisas por pressão dos outros, demonstra imaturidade emocional, que é um componente fatal num casamento. E se casar para resolver um problema emocional (solidão e ausência), vai simplesmente trocar um problema por outro. Troca-se solidão por discussões, solidão por conflitos, solidão por noites de insônia, solidão por falta de motivação para viver. Vale a pena?

Tarefa impossível?

Mas você pode alegar: se formos tão exigentes assim, ninguém se casará. Isso é verdade. Então, o segredo para reduzir ao máximo o número de conflitos é simples: procure alguém que foi criado no mesmo sistema de crenças que você. Que tenha crenças parecidas sobre o uso do dinheiro, sobre criação de filhos, sobre o papel do marido e da mulher num casamento, sobre o atendimento das necessidades emocionais, sobre o sexo, sobre religião, sobre o relacionamento com a família, sobre o trabalho.

Assim, talvez a única decisão mais difícil seja escolher se vai ou não haver TV no quarto. Num mundo onde há cada vez mais divórcios, ter um problema como esse, parecerá fichinha perto de outros casamentos.

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