A culpa não é só do governo, também é nossa

Inúmeras empresários tem reclamado da crise brasileira, alegando que a economia não ajuda, que os impostos são altos, que os políticos são corruptos, que a educação brasileira é um fracasso, que a infraestrutura do país não colabora etc. A lista de reclamações é infinita.

Embora eu concorde com muitas dessas queixas e ache que os empresários brasileiros tem muita dificuldade para vencer na selva do mercado, esse artigo trata de outro fator que pode fazer empresários não irem muito longe em seus negócios. Ele se chama “vitimização”.

A vitimização consiste em colocar a culpa em todo mundo, e achar que as atitudes da própria pessoa não estão contribuindo para os problemas.

Vou citar uns exemplos para tornar mais claro a minha ideia:

  1. Eu estava querendo comprar uma torneira elétrica. Liguei na loja, fui atendido com mau humor. Transferiram minha ligação para outro setor que não tinha a informação que eu pedi. Tive que ficar esperando minutos ao telefone para descobrir que a empresa não tinha o produto. Mas o problema não é a falta de estoque, é o atendimento em si, péssimo.
  2. Uma amiga foi a um restaurante novo em Curitiba. Quando chegou lá, disseram que ainda não tinham o cardápio. A garçonete demonstrou extrema má vontade em dizer quais os pratos disponíveis. Quando o grupo decidiu pedir um vinho, disseram que também não tinham mais vinho, tinham acabado todas as garrafas e só sobrou uma. Como ainda iam chegar mais amigas, disseram para a garçonete que iriam pedir pra um amiga trazer um vinho. Nisso, a dona disse que iria cobrar pela rolha. As clientes ficaram indignadas.
  3. Fui a um restaurante que também foi recém inaugurado, e deu pra perceber que foi gasto muito dinheiro na reforma do local, que realmente ficou muito bonito e agradável. Mas na direção contrária, o atendimento dos garçons deixou a desejar. Parecia haver 2 garços para cuidar do restaurante inteiro, ou seja, o empresário investiu muito na arquitetura física e não investiu na arquitetura “humana”.

Essas três histórias ilustram o mesmo ponto: o mau atendimento é culpa do governo? Dos políticos? Dos impostos? Se for assim, então todas as empresas brasileiras deveriam atender mal. Mas não é isso que acontece. Algumas atendem bem, não param de crescer, agradam seus clientes e dão a volta por cima dos problemas.

Então, antes de colocar a culpa na falta de dinheiro, nos problemas econômicos, reflita: será que a própria organização não está colaborando para a perda de clientes e de faturamento? Será que eu não estou fazendo nada para contribuir para o fracasso da empresa, e que poderia ser modificado? Por que no mesmo mercado há empresas falindo e outras crescendo? Se o mercado é o mesmo e os problemas econômicos também, por que algumas se dão mal e outras se dão bem?

Esse conceito não serve apenas para empresas, serve para pessoas também. Muitos não conseguem emprego, estágio, oportunidade, e atribuem a culpa só ao “sistema”. Mas será que o problema é causado só pelas outras pessoas? Qual a sua parcela de responsabilidade nas coisas ruins que acontecem com você? Será que suas decisões não estão fazendo você colher algo que não deseja?

 

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