É comum muitos consultores, funcionários e executivos colocarem a culpa na cultura da empresa, toda a vez que um problema surge ou quando é difícil implementar mudanças. No entanto, embora possamos ver a cultura como causa do problema, ela também é uma consequência do problema.

Podemos olhar pra cultura como algo que precisa ser modificado, para permitir que uma empresa evolua ou mude a forma como responde às situações. Mas também podemos ver a cultura como o resultado dos processos e dos comportamentos das pessoas. Ao invés de tentar mudar a cultura, tente mudar os processos.

Mas você pode dizer “Ah, mas mudar processos é difícil pois a cultura não permite”. Alguns dizem ainda que a “cultura come a estratégia no café da manhã” (essa frase foi atribuída a Peter Drucker) ou que a cultura vence a estratégia . Ou seja, se a cultura não permitir, não há estratégia ou planejamento que sobreviva. Esse tipo de raciocínio se parece com o mesmo usado pelos atendentes de call center, quando não conseguem resolver um problema: “é culpa do sistema (programa ou software que gerencia a empresa)”. “Cultura”, “sistema”, todos esses termos são desculpas que apontam para um lugar genérico, que ninguém sabe onde fica, mas que empurra a sujeira para debaixo do tapete, joga a culpa nas costas de outro, enfim, o caminho fácil de quem não sabe como lidar com o problema.

Como disseram Lorsh e McTague,

“a cultura não é o destino final, mas sim algo que se transforma com o ambiente e com os objetivos da organização”.

Se forem feitas mudanças no jeito como a empresa funciona, se sua visão de futuro for diferente, se os colaboradores forem incluídos nos projetos, atendendo seus interesses políticos, a cultura irá refletir essas mudanças também. Isso acontece porque a cultura tem duplo sentido: ela é algo que influencia as ações da empresa, mas também é influenciada pelo que a empresa faz. Ela é, portanto, como os dois lados da mesma moeda: ao invés de olharmos para ela como uma causa de problemas, podemos vê-la como consequência de processos defeituosos, decisões incorretas e prioridades que não atendem os interesses das pessoas envolvidas.

Portanto, ao invés de gastar energia tentando mudar a cultura, mude os processos, tome decisões se baseando em pesquisas e informações confiáveis e priorize o que realmente importa. A cultura irá se ajustar e tornar mais fácil as mudanças futuras.

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